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Caderno da Criatividade

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Rabiscando o sentido da vida

O quotidiano ilustrado do Bé Cartoon

Janeiro 21, 2020

Pedro Neves

becartoon.jpg

A Elisabete usa o blog Bé Cartoon para publicar uma tira de banda desenhada da sua autoria, inspirada no seu quotidiano em Braga. Colocámos-lhe algumas perguntas por escrito sobre a sua experiência e o desafio criativo a que se propôs.

O que podemos saber sobre a Elisabete?

Nasci em 1989, em Braga. Venho de uma família simples, mas que nunca me impediu de fazer as coisas que eu gostava. Tive uma infância muito rica de experiências, pois nos primeiros anos de vida, vivi em vários locais do norte do país devido à profissão dos meus pais, e isso permitiu um grande contacto com pessoas diferentes, desde a avó "Lili" (a minha ama) em Santo Tirso, e que me ensinou lengalengas e a rezar ao anjinho da guarda, passando pelas minhas educadoras do jardim de infância em Aveiro, que me levaram anos mais tarde a querer seguir profissão semelhante (infelizmente não foi possível), e por fim, pela minha professora da primária que incentivava os alunos a ler e que chegava a emprestar os livros da filha para esse efeito (isto acontecia anos antes do plano nacional de leitura). Estudei até ao 12° ano do curso profissional de Animação Sócio-cultural/Infância.

Considero que ir para uma escola profissional foi das melhores decisões que tive, pois se tivesse seguido o ensino "normal" teria reprovado e por consequência, iria desistir de estudar. Além disso, tenho grandes memórias dessa época que recordo com nostalgia. Hoje em dia trabalho num restaurante de take way. Não é o meu emprego de sonho, mas permitiu-me a possibilidade de ter alguma independência financeira, que foi fundamental para eu poder ter hoje o blogue.

Como surgiu a ideia para criar o Bé Cartoon?

Acho que a ideia já estava arrumada algures na minha mente há muito tempo, mas eu não sabia o que fazer exactamente. Na adolescência eu ia muitas vezes para a biblioteca da escola, e lá havia vários livros de um cartoonista chamado Bill Amend, rapidamente tornei-me fã do género, e lembro de tentar já nessa altura, fazer uns cartoons, mas eu desenhava muito mal e os desenhos acabavam no lixo. Os anos foram passando, e a vontade de desenhar ia aumentando. Entretanto, fiquei muito tempo desempregada, e fiquei desmotivada, praticamente mal desenhava. Quando finalmente arranjei trabalho, decidi investir num tablet em segunda mão para desenhar (até aí só desenhava em papel), nessa época rabiscava umas coisas sem importante, e nesse meio tempo tinha criado o meu primeiro blogue no sapo. Por vezes colocava desenhos nesse blogue, mas com o tempo, senti que esse blogue não me preenchia, não era exactamente aquilo que eu queria. Em Maio do ano passado, uma ideia fez luz na minha cabeça: e se eu criasse uns cartoons da minha autoria, apenas por distracção? A verdade é que fui ganhando o gosto, e a partir daí nunca mais parei, e tempos depois, quando já tinha alguma quantidade de desenhos, criei o Bé cartoon (confesso que tirei a ideia do título, do Henricartoon, o cartonista do Sapo).

Já tinha tido a experiência de publicar os seus desenhos? Como tem sido o feedback de quem visita o blog?

Sim, no outro blogue, notava que as publicações com os desenhos que eu fazia, tinham muitas vezes mais visualizações do que as outras publicações. No Instagram também publico alguns desenhos que faço. O feedback tem sido bastante positivo, as pessoas gostam e dão-me os parabéns, e isso dá ainda mais ânimo para continuar este projecto.

Como foi a sua introdução ao desenho?

Desenho há muito tempo. As memórias mais antigas que tenho são de desenhar (uns rabiscos terríveis em revistas velhas). Quando saí do infantário, em Aveiro, aquilo que me deixou mais triste foi de ter deixado a minha capa com os desenhos para trás. Mais tarde, lembro-me de o meu pai comprar o Jornal de Notícias ao Domingo, e na revista do jornal vir o suplemento "Terra do Nunca" (direccionado para as crianças). Na primeira página, vinha sempre a publicação de desenhos de outras crianças e eu tentava imitar o estilo desses desenhos. Era assim que eu ia evoluindo, no 7° ano encontrei uma professora de educação visual bastante exigente (eu era um bocado preguiçosa em alguns aspectos do desenho) e que me ajudou a disciplinar um pouco o desenho.

Ao longo do tempo fui observando o método de desenho de outras pessoas na Internet, e hoje em dia faço uns cursos na Udemy para aprimorar ainda mais o traço. É importante treinar sempre que possível para não perdermos a técnica.

Qual é o processo típico de desenvolvimento de uma tira?

Tudo começa com uma ideia que surge na hora. Logo que possível, guardo no telemóvel, e mais tarde faço o esboço. Como por norma tenho quatro "espaços" para preencher, adapto a ideia para esses espaços, sendo que último "espaço" é onde muitas vezes está a piada. Então, começo pelo primeiro "espaço" e a seguir faço o último "espaço", depois é como se fosse fazer uma espécie de caminho entre o primeiro e o último "espaço". Normalmente não peço opiniões, mas por vezes sou inspirada por alguma frase que ouço, ou algum comportamento que observo.

Qual é a sua principal fonte de inspiração para desenhar?

A minha inspiração são as pessoas no geral, mas também a vida quotidiana. A "personagem" principal é inspirada em mim, faço uma interpretação exagerada de mim mesma, porque acaba por ser mais fácil, e também porque numa época de politicamente correcto, facilmente podemos ofender alguém sem essa intenção, além disso, antes de brincarmos com os outros, temos de saber brincar connosco em primeiro lugar.

Obrigado, Elisabete!

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