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Caderno da Criatividade

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Um blog da equipa do SAPO Blogs dedicado à criatividade virtual e não só. O que nos inspira? Como podemos ser mais criativos e partilhar essa criatividade? São algumas das perguntas que motivam este blog.
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"A entrevista é sempre uma maneira de termos liberdade"

Fomos conversar com o Amaro Figueiredo, criativo, poeta e entrevistador

Março 31, 2020

Pedro Neves

amaro.jpg

A entrevista pode ser um exercício de criatividade? O Depois em Seguida, um blog de entrevistas a artistas e criativos, mostra que sim. Fomos conhecer um pouco melhor um dos seus autores, o Amaro Figueiredo (na fotografia acima, tirada por Andreia Pena).

Podes falar-nos um bocadinho sobre ti? O que é obrigatório sabermos?

É obrigatório saber que sou do interior do país, com vaidade, de dentro para fora tudo tem mais significado. Faço parte da Associação Cultural Gambiarra, fundada pelo escritor Ricardo Fonseca Mota, vencedor do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís 2015. Conto com mais de cem participações literárias – entre poesia, prosa e crónicas –, algumas exposições de artes plásticas e sou um dos escritores do projecto infantil “Tu Desenhas, Eu Escrevo”. Já assinei poesia com o nome Antonino Bernardo, em homenagem ao meu avô paterno, e para mim o amor e as memórias devem andar de mãos dadas, é o destino primordial da vida. Escrevi o texto “José” do primeiro episódio do projecto sou mesmo josé, ensaio biográfico sobre a adopção na perspectiva do adoptado, a primeira plataforma sobre a adopção em Portugal. Um projecto muito delicado e ao mesmo tempo maravilhoso do André Mariano.

Entrámos em 2020 e este ano, o meu ano, está direccionado para o cinema curto com duas curtas que escrevi. Começamos a gravar em finais de Março inícios de Abril, em Santa Comba Dão, ‘Pardais Caídos’, um drama familiar e que pretendo que a premissa seja assunto de debate. Já começámos com pequenos ensaios para a curta ‘Porque não se pode amar assim’, uma história LGBT baseada em factos reais e que será gravada em Lisboa por uma questão de logística e que conta com a participação especial de Pedro César Teles.

Diariamente trabalho numa instituição de doença mental e física. Sonhos e viagens fazem-se por etapas, tudo deve acontecer de forma natural, é o meu lema.

 

Qual foi o ímpeto para criar, juntamente com o Ismael Sousa, o Depois em Seguida? E como apresentarias o blog hoje?

A partilha. A partilha dos nossos interesses – os nossos gostos – seria o motor do blog. “Depois em seguida” era para ser só sobre o distrito de Viseu (risos), não sair de Viseu. Eu no início não tinha ideia que o blog pudesse chegar a tanta gente. “Depois em Seguida” sofreu umas pequenas alterações e neste momento é um blog fresco, sempre com vários factores ligados que o tornam activo, que oferece a curiosidade e é curioso. Acredito que as pessoas vejam o blog – talvez mais as entrevistas – com essa tal curiosidade e pensem: “tem pinta”.

 

Tens entrevistado, ao longo do tempo, uma série de pessoas que trabalham e se destacam pela criatividade nas suas áreas (teatro, escrita, ativismo, etc). Como é que surgiu a ideia para fazer estas entrevistas? E como tem sido a experiência de contactar, eventualmente ficar a conhecer, os entrevistados?

A entrevista é sempre uma maneira de termos liberdade e que liga as pessoas mais facilmente a um projecto deste tipo. Era importante haver entrevistas no blog. Tem sido muito enriquecedor, confesso. Não é o processo mais fácil do mundo, a disponibilidade do convidado é sempre um factor negativo, e nem eu nem o Ismael somos uma influência digital que facilite chegar a uma ou outra pessoa. Começámos pelos amigos, alguns amigos sugeriram amigo e é esta ligação necessária.

É curioso que há mais entrevistados do que entrevistadas. Não é fácil ouvir um sim de convidadas e nenhum convidado aparece só por acaso. Há histórias bonitas, os entrevistados são todos bonitos. Lembro-me do generoso sim do Esteban, que é considerado o jovem tapatío do expressionismo figurativo... ele no México eu em Portugal, ficaram viagens prometidas. A grandiosidade do Iván Saínz Pardo. Todos são criativos nas suas áreas, todos são especiais. É uma experiência enriquecedora a todos os níveis.


O formato das entrevistas também é original, através da oposição de ideias. O que te inspirou?

Todas as pessoas são interessantes. Todas as pessoas, ligadas as artes ou não, têm uma história, têm opiniões esmagadoras e que fervilham, e é curioso como, às vezes, são apanhadas desprevenidas - no bom sentido - nas oposições de ideias. As pessoas quando têm duas opções e têm que fazer uma escolha parece que existe um obstáculo gigantesco, uma espécie de radar humano surge e acaba por existir um maior raciocínio e que torna a resposta mais embelezada. Começámos por aí e esse raciocínio cuidado é engraçado. Não são fáceis algumas, tenho que admitir, já ouvi de muitos entrevistados. O problema é não conseguir passar a batata quente. Torna-se, talvez por isso, ainda mais palpitante o resultado final. As respostas chegam e parte, de e para todos os sítios.

 

Alguma resposta mais memorável até agora?

Todas são memoráveis. São muito mais de mil respostas, não é fácil escolher uma. Temos entrevistas com 2000 visualizações e isto é que é memorável.

Mas confesso que tento pôr-me nos lugares deles e tento adivinhar as suas próprias escolhas.

Lembro-me da última resposta do Gonçalo Puga sobre o Shin Chan. Ele foi pesquisar quem era o Shin Chan e transcreveu na íntegra uma notícia do site Delas.pt.


Quem tens no horizonte entrevistar? E quem é que gostarias de entrevistar que de momento pode parece inacessível?

Sim, é verdade. Como sou muito organizado tenho uma lista, dividida por áreas e com contactos. Albano Jerónimo, João Figueira, Isabel Rio Novo estão no horizonte. Carlos Salvador, da Querelle Films, é das pessoas mais difíceis de convencer e é meu amigo. Estou a aproveitar a ocasião para fazer pressão. Gostava de ver no blog a apresentadora Tania Llasera – The Voice Espanha –, a actriz Isabel Abreu, o José Guedes de Carvalho e estou a trabalhar para isso. Inacessível da minha lista: Johnny Hooker. Talvez. Pela curiosidade que ele me provoca.

 

A nível pessoal, em que área te sentes mais criativo? E quais são os lugares (reais ou virtuais) onde mais procuras inspiração?

O importante é ser feliz em qualquer área e ser feliz é ser criativo e, por isso, uma fonte perfeita de vida. Eu sou feliz no meio dos workshops de arte floral, no trabalho diário, na escrita. Adoro museus e isso tranquiliza-me, revejo-me imenso neles, no sentido nostálgico, a melancolia. Os museus têm sempre assunto. Há histórias e amores. As pessoas cumprem as ordens. (risos) Quando for rico compro um.

 

Obrigado, Amaro.

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